Fisiculturista de 10 anos do DF se apresenta no Campeonato Brasiliense

Fisiculturista de 10 anos do DF se apresenta no Campeonato Brasiliense

Fisiculturista de 10 anos do DF se apresenta no Campeonato Brasiliense

Foto: Divulgação

Com apenas 10 anos de idade, Heitor Oliveira já é campeão de fisiculturismo. Neste ano, o jovem atleta venceu o Campeonato Brasiliense de Estreantes, e voltará a se apresentar neste domingo (18) durante o Campeonato Brasiliense de Fisiculturismo da Federação Brasiliense / IFBB – International Fitness and Bodybuilding Federation. O evento será no auditório da Faculdade UNIP, na 913 sul, às 13h.

A participação de um atleta tão novo em uma modalidade que requer treinamento incluindo a musculação chama a atenção e provoca diferentes reações quando se trata da saúde e do desenvolvimento infantil.

Em conversa com o DF Esportes, Márcio Oliveira, fisioterapeuta PhD, empresário e pai do Heitor, contou como foi o início do filho no esporte. “Ele começou a treinar musculação com 6 anos, junto comigo, com o objetivo de melhorar a coordenação motora, a habilidade para o gesto esportivo e estimular a sua musculatura. Aos 9 anos, uma professora, que também é fisiculturista, o observou e percebeu que ele tinha uma composição corporal diferente e poderia competir no fisiculturismo. Falou que havia visto vídeos de crianças e lembrou na hora dele. Foi então que entramos em contato com a Federação, que nos deu apoio total, e então o processo começou”, contou Márcio.

Benefícios da musculação na infância

Estudioso do assunto, o pai do atleta sabe que a musculação na infância é um tema polêmico e que já foi associado a problemas no desenvolvimento físico e crescimento das crianças. Segundo ele, “antigamente a musculação era vista como vilã e um grande motor para a ocorrência de lesões e prejuízo ao crescimento das crianças. No entanto, a experiência de alguns países motivou novos projetos de pesquisa e, atualmente, há um consenso nas sociedades acadêmicas de que o problema não é fazer musculação, mas sim como o treinamento é conduzido”.

Todos os benefícios da musculação, tais como melhora da força muscular, potência, resistência, coordenação motora, agilidade, capacidade cardiorrespiratória, flexibilidade, densidade mineral óssea, entre outros, podem ser assimilados pela criança, favorecendo o seu desenvolvimento osteolocomotor.

Márcio Oliveira, fisioterapeuta PhD

“O segredo é encontrar um profissional/equipe de especialistas para conduzir o processo da maneira correta”, disse Márcio ao DF Esportes. Além do pai, Heitor também recebe acompanhamento do Dr. Moacir Silva Neto, pós-doutor em fisiatria pela universidade de Harvard e médico do esporte com fellow na universidade de Pitsburgh, nos Estados Unidos. O médico afirma que “esse é um tema que levanta muitas preocupações nos pais, mas é muito bem definido na literatura médica que é recomendado fazer treinamentos de força.”

Existem algumas peculiaridades que são pertinentes e importantes de serem abordadas, mas é sim recomendado.

Dr. Moacir Silva Neto, pós-doutor em fisiatria

Dr. Moarcir explica como é feito a rotina de acompanhamento do jovem atleta. “O Heitor realiza rotineiramente exames na clínica Life Checkup, onde avaliamos a saúde cardiorrespiratória para prevenção de morte súbita, que pode acontecer até em crianças assintomáticas. Avaliamos também força e equilibrio muscular, para acompanhar o desenvolvimento e prevenir lesões ortopédicas, e fazemos análises biomecânicas de movimentos”, escalereceu.

O treinador Igor Sousa, o Igão, é mais uma a fazer parte dessa equipe especializada que acompanha Heitor e reforça que “é superimportante que a criança seja acompanhada por um profissional de educação física capaz de sentir e entender as necessidades dela, compreendendo suas especificidades biológicas e suas limitações, mostrando, assim, que é possível praticar musculação desde cedo sem que haja lesões. Os benefícios são muitos, dentre eles desenvolvimento motor, cognitivo e muscular, além do aumento da força e densidade óssea”.

Rotina de treinos

Sobre o dia a dia dos treinos, Igão falou ao DF Esportes como é o desafio de trabalhar com um atleta tão jovem. “O maior desafio na preparação de um atleta jovem, sem dúvidas, é conseguir controlar toda energia que ele tem e fazer com que ele fique o mais focado e atento possível durante os treinos, por isso o treinamento deve ter um caráter bem lúdico”, afirmou.

Igão explicou, também, como são avaliados os atletas infantis na modalidade: “Como critério de avaliação para os adultos são considerados: volume muscular, definição, profundidade dos cortes, simetria e harmonia do corpo e condicionamento. Já para as crianças, a criação dessa categoria visa incentivar hábitos saudáveis, estimular a prática do esporte e construir futuros atletas para as categorias do Bodybuilding”.

Foto: Divulgação

A visão do treinador e o foco nos treinamentos está alinhamento com o pensamento do pai do atleta. “Nunca penso no esporte apenas como diversão. Foi o que moldou a minha vida pessoal e é a minha área de atuação profissional há 20 anos. Sendo assim, o desenvolvimento do Heitor é parte de um plano de carreira profissional, onde, mesmo que ele venha a se interessar por outra trajetória no futuro, terá assimilado experiências que mudarão a sua visão de mundo.”

E Heitor já começa a desenvolver essa visão. Sobre a ligação com o fisiculturismo, o menino disse que admira “a dedicação e a disciplina dos atletas”. E reforçou as palavras do pai e do treinador. “Gosto muito de treinar e me manter saudável. Quando compito, sei o nível que estou no esporte”, disse o jovem.

As atividades de Heitor, no entanto, vão muito além da musculação. “Segunda faço wrestling, terça judô, quarta ginástica e jiu-jitsu, quinta musculação e futebol, sábado descanso e domingo crossfit. Gosto de fazer SUP com meu pai após o treino de domingo,” revelou.

O Heitor é um garoto que é apaixonado por esportes, isso já está na essência dele, e, essa paixão, aliada ao exemplo dos pais em casa, influenciam diretamente na sua rotina.

Igor Sousa, personal trainer

O esporte e os estudos

Mesmo com a rotina pesada de treinos, o atleta também se dedica muito na escola e outras atividades extracurriculares. “Hoje o esporte faz parte da vida do Heitor, mas a obrigação é estudar, não apenas na escola, mas também inglês e outras habilidades. Também esperamos que ele ame a Deus, a família e ao próximo. A partir dos 15, 16 anos ele poderá optar pelo seu futuro, e a especialização esportiva será então a prioridade”, disse Moacir Oliveira.

Levamos 3 fatores como regra: primeiramente, a obrigação – escola; em segundo lugar, estar feliz com tudo que está acontecendo, entendendo que há uma oportunidade, mas que felicidade é a premissa do sucesso; por último a carreira esportiva.

Márcio Oliveira, fisioterapeuta PhD

Heitor Oliveira com os pais | Foto: Divulgação

Apaixonado pelo esporte e pelos treinamentos, Heitor mostra que sabe qual é sua prioridade: “Me dedico em primeiro lugar aos meus estudos. Estudo de manhã, de segunda a sexta, e faço inglês sexta de tarde.” Na escola, as atividades realizadas pelo jovem provocam curiosidade entre as outras crianças.

Quando eu faço um campeonato, levo a medalha ou troféu para a escola e todos os meus amigos perguntam. Eles geralmente fazem somente um esporte, então me perguntam do treino, da alimentação. Me sinto feliz em inspirar outras pessoas a fazerem o que eu faço.

Heitor Oliveira, 10 anos, fisiculturista

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